quinta-feira, 5 de abril de 2012

Desenhos desanimados

Assim são chamados aquelas animações feitas na década de sessenta onde  personagens de quadrinhos foram adaptados para a televisão. Para quem beira os cinqüenta sabe do que se trata... ou com certeza irão se lembrar. Esses desenhos embalaram minha infância quando, morrendo de fome, chegava da escola, fazia meu prato e grudava na televisão para ver as aventuras do Capitão América, Thor, Hulk, Homem de Ferro  e o mais raro de aparecer: Namor. Ali estava duas coisas que mais gostava: gibi e desenho animado. A trilha sonora de alguns super-heróis lembro até hoje. Para a geração atual pode até parecer ridículo alguém gostar de coisas tão toscas como aquelas, mas o senso crítico se forma com o tempo, e na época a própria televisão era novidade. O meio é a mensagem, segundo MacLuhan. A despeito de todas os estragos que parte da televisão e mesmo parte dos quadrinhos fizeram no Brasil e no mundo, seja como porta voz da ditadura militar, seja como veiculo da ideologia imperialista, (que realmente foram) não deixa de ser agradável e revigorante rever essas pequenas "pílulas de infância" (vi essa frase em algum lugar). Mas voltando aos desenhos desanimados: Essa série é a mais perfeita tradução da linguagem dos quadrinhos para o desenho animado que conheço. A economia da produção fazia com que as cenas ficassem paradas por longos períodos, onde somente uma ou outra coisa movimentasse de vez em quando e assim mesmo num vai e vem interminável. Geralmente era a boca que movimentava. Em momentos mais "agitados" os Crash, Bum, Tum das anomatopéias resolviam o problema. Era quadrinho puro. Essa série veio depois do sucesso da série live-action Batmam, com Adam West. Quem assistiu os desenhos da Marvel irá se lembrar dele também, que foi outra tentativa de levar os quadrinhos para a televisão. A cada soco que o Coringa tomava, lá vinha o POW encher a tela. Tudo nesses seriados remetiam aos quadrinhos: do uso das cores vivas, a narrativa em off a cada novo episódio, revelando sempre o que havia acontecido no capitulo anterior, como nas legendas dos quadrinhos. Esse jeitinho de simplificar a produção das animações, principalmente as seriadas, existe desde a década de cinqüenta quando a UPA (United Production of America) desenvolve essa técnica que mais tarde ficou conhecida como animação limitada ou animação econômica. Ela não funciona para realizações mais realistas, mas deu muito certo nas produções da UPA, que tinham como características a estilização de personagens e cenários... mas isso é outra história. Abaixo algumas aberturas...



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