segunda-feira, 11 de março de 2019

Com amor, Van Gogh



A arte muda nossas vidas. Mudou a minha. Quando criança gostava de desenhar e pintar. Mais tarde, já no colegial, descobri alguns livros de pinturas que havia na Biblioteca do Major. Era uma coleção sobre “Os Impressionistas” que saiam em banca de jornal. Entre eles Van Gogh. As imagens contidas no livro fizeram minha cabeça. Passava muito tempo na biblioteca da escola sugando tudo aquilo (a bibliotecária era a Dona Alaíde, pra quem morou em Atibaia e é da época irá se lembrar). Li e reli várias vezes sua biografia e de certa forma me identificava com aquela tragédia toda. Coisas de adolescente. Mais tarde meu irmão me levou ao MASP e dei de cara com o quadro “O escolar”. Não deu pra conter as lágrimas. Aquilo fazia parte de mim... Calou fundo e decidi ali, naquele momento, que seria artista plástico. A vida tangenciou esse sonho me levando pelos caminhos do ensino da arte, inibindo minha produção pessoal. Mas tintas e pincéis fazem parte do meu cotidiano desde então. Ontem o artista holandês cruzou meu caminho novamente. Entre as inúmeras zapeadas de um domingo a noite deparei com a animação “Com amor, Van Gogh”. Nela fica sugerida a versão de que Van Gogh não se matou e sim que foi assassinado, em razão de nunca ter sido encontrada a arma. Independente disso “Com amor, Van Gogh” é um belo filme. Inúmeros quadros servem de referencia para o espectador penetrar no universo estético do pintor, que só vendeu um quadro na vida. O drama e a difícil relação do artista com o mundo, evidenciado na figura do irmão Theo, deixa clara qual a verdadeira função do artista nessa vida. Mais que um deleite estético, a animação é um sopro na poeira do maçante cotidiano da sobrevivência. Revela e expõe a principal questão de nossa existência: o sentido da vida.