quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Lynxfilm, o atibaiense César Mêmolo Jr. e o pioneirismo da animação comercial no Brasil.

O cinema de animação ganha importância cada vez maior. É uma área em expansão e desenvolvimento que pode ser confirmado na quantidade, e consequente qualidade, de filmes que surgem a cada ano. Entre as inúmeras variantes que contribuíram (e contribui) para isso está o desenvolvimento da tecnologia digital. O processo facilitou e democratizou sua realização. Com isso a História da Animação no Brasil também começa a ser contada, ainda de forma incipiente, mas um olhar mais atento pelos dispositivos de busca da internet revelam teses, matérias e livros abordando o assunto. O mesmo não acontece com a História da Animação Comercial no Brasil. Pesquisei e não achei quase nada. São informações esparsas, que você tem de juntar aqui e ali pra saber alguma coisa. Cito porque nesse assunto um conterrâneo muito contribuiu: César Mêmolo Jr. Cesar saiu de Atibaia na década de cinquenta e em 1958 fundou a Lynce Filme, depois renomeado Lynxfilm. A Lynxfilm foi a maior produtora da época e teve sua trajetória intimamente ligada à história do cinema brasileiro, do cinema publicitário e da televisão no Brasil. De lá saíram filmes que fazem parte da história do audiovisual nacional, além de inúmeros comerciais para televisão que se tornaram clássicos da propaganda, muitos deles na técnica de animação...E nisso foram pioneiros. Ruy Perotti foi sócio de César Mêmolo Jr. na criação da Lynxfilm e levou para lá seus conhecimentos como ilustrador, criador de história em quadrinhos e animador. Foram inúmeras propagandas criadas na técnica da animação (dizem que o primeiro stop motion no Brasil foi dos fósforos Fiat Lux). Provavelmente quem já passou dos cinquenta reconhecerá os anúncios aqui postados. Eles fazem parte de memória afetiva de nossa infância.






domingo, 24 de julho de 2016

Vídeo de Atibaia foi finalista do Mapa Cultural Paulista 2016.



















A animação Auxese, realizada por alunos do Instituto Garatuja, foi finalista na categoria vídeo do Mapa Cultural Paulista 2016. Para chegar lá o filme passou pela seleção da região de Campinas, onde concorreu com cidades como Limeira, Sumaré, Campinas, Paulínia, entre outras. Muitas delas com tradição na área. É o caso de Paulínia, que investe pesado na área através do projeto A Magia do Cinema, transformando a pequena cidade de Paulínia na Hollywood Brasileira. Seu polo cinematográfico possui cinco estúdios, um especificamente para animação, onde funciona também uma escola de cinema. No suntuoso Theatro, que integra a infra estrutura do projeto, é realizado o Festival de Paulínia, um dos mais importantes do país. Dos quinze vídeos selecionados, um de cada região, dez foram escolhidos para fase Estadual. Não houve premiação entre os dez finalistas. Todos ganharam troféus e a participação num DVD que será lançado pelo Governo de Estado, além de um prêmio de R$ 2.000,00. A animação é resultado de oficina realizada em 2012 com crianças entre 11 e 12 anos. A oficina, direção e sonorização foram minhas. A solenidade de premiação aconteceu na Biblioteca Parque Villa-Lobos, em São Paulo, e contou com a presença de vários realizadores. Parabéns aos garotos (hoje jovens): Gabriel Ferreira da Cunha, Heitor Luna da Silva, Hélio de Almeida Filho, Heloísa Ferraz Nascimento, Vinícius Souza Oliveira e Cláudio Donizete da Silva Jr. (em memória), a quem dedico esse prêmio. O fato de Auxese chegar ao final do Mapa Cultural já é motivo de alegria, não só do Garatuja e seus realizadores, mas da cidade de Atibaia, uma vez que o Mapa Cultural funciona como uma vitrine do que de melhor é produzido no Estado de São Paulo. O evento é uma iniciativa conjunta entre a Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo e a Organização Social Abaçaí Cultura e Arte e tem como proposta o mapeamento, promoção e intercâmbio dos produtos culturais do interior do Estado.

Márcio Zago






segunda-feira, 9 de junho de 2014

Lobby Card

















Quando o cinema começou a ser uma atividade comercial, logo vieram as imagens gráficas para facilitar na venda. A partir do inicio do século 20, além dos cartazes, surgem os looby cards, pequenos cartões com informações adicionais sobre o filme. A palavra lobby pode ser ante-sala, embora seja mais comum sua conotação política (grupos de pessoas com interesses comuns e com poderes sobre o poder público). Esses cartões (cards) eram fixados nas entradas dos cinemas, ao lado dos cartazes e faixas com o nome dos filmes. Tinham a intenção de atrair a atenção do expectador para o que iria ser projetado. As imagens dos lobby cards (desenhos ou fotos), caracterizam-se pelo forte apelo visual, com destaque para as cenas mais importantes do filme, além dos rostos dos principais atores. O título do filme e outras informações secundárias completavam a informação. É uma mídia em extinção, e muito valorizada pelos colecionadores de outros países. No Brasil era comum o material gráfico promocional acompanhar os filmes por diferentes exibidores. Cada cinema recebia seu kit, com os rolos de filmes 35 mm, cartazes e os lobby cards. Havia ainda as faixas que eram produzidas pelo próprio exibidor e fixadas na fachada do cinema. Quando criança, estudava no Grupo Escolar José Alvim e passava em frente o Cine Atibaia a caminho de casa. Não raras vezes, parava em frente ao cinema para observar alguém pintando essas faixas...Ficava encantado em ver a facilidade com que era feito o trabalho. Depois da temporada de exibição, os rolos de filmes, cartazes e lobby cards eram repassados ao próximo exibidor. Esse material gráfico só era descartado quando estavam bastante danificados. Daí a raridade dos lobby cards de filmes nacionais. No Garatuja guardo um material promocional do filme O Menino Arco-Iris, de 1979, que uso como mostruário nas oficinas que realizo. Esse filme é um drama bíblico escrito, produzido e dirigido pelo Ricardo Bandeira - "Uma grande comédia mágica-realista", como diz o próprio autor. Ricardo Bandeira foi um dos maiores mímicos brasileiros. 









sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Títulos e Créditos 1

Na evolução da linguagem cinematográfica os títulos e créditos, assim como as músicas e os cartazes foram ganhando importância cada vez maiores na produção de um filme. Em se tratando de créditos, sempre surge a clássica citação ao filme A Pantera Cor de Rosa, mas existem outras, tão boas quanto, como é o trabalho de Saul Bass. Considerado o primeiro designer a se especializar na área, Saul Bass virou referencia ao fazer pequenas pérolas num curto espaço de tempo. Espaço de fundamental importância, diga-se de passagem. No crédito não há somente um amontoado de informação. A qualidade desse item está em sintetizar de forma criativa e coerente o que virá a seguir. É nos primeiros dez minutos iniciais que se “ganha” o espectador, e pensando assim os créditos são fundamentais pra isso. Gosto muito do trabalho dele. É sintético, enxuto, alcançando grande impacto visual com poucos recursos. Técnicas bastante comuns, até para a época em que foram produzidas, ganham uma dimensão estética primorosa em suas mãos: recorte de papel, uso reduzido de matizes, valorização do espaço em branco e as cores sempre chapadas. Saul Bass elevou os créditos à categoria de arte, integrando-o como parte de um filme e não uma simples sucessão de nomes como era até então. Nos cartazes dos filmes ele também inovou. Viraram clássicos por manter a atualidade, e isso é muito difícil de acontecer nas artes gráficas. Geralmente o trabalho fica “velho”, marcado demais pela época em que foi produzido. No caso dos cartazes de Saul Bass eles conseguem ser atuais como The Birds, de Alfred Hitchcock, ou ainda The Man With the Golden Arm, de Otto Preminger. Numa das citações atribuídas a Bass ele diz:  “Conquistar a simplicidade, a qual detém uma certa ambiguidade e uma certa implicação metafísica, que a torna vital. Se for simplesmente simples, é chato. Trabalhamos a ideia de que determinada coisa é tão simples que vai fazer com que a gente pense e repense.”

Abaixo créditos dos filmes e alguns cartazes de Saul Bass.














quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

O Coração Delator, um clássico.

The Tell Tale Heart é um dos contos mais populares de Edgar Allan Poe. Inúmeras foram às versões e adaptações dessa história. Nos quadrinhos também virou um clássico nas mãos de Alberto Breccia, trabalho que tive o prazer de ver numa exposição em São Paulo. Na animação, a versão de 1953 com direção de Ted Parmelee, é fundamental pra quem quer conhecer o que de melhor se produziu no gênero. Embora tenha mais de sessenta anos, ela resistiu ao tempo e considero ainda hoje referencia na linguagem da animação. Uso esse filme como modelo quando a intenção é mostrar aos meus alunos como extrair o máximo, do mínimo, bem ao estilo UPA. Quase não há movimento dos personagens, como é mais usual, o que movimenta é a câmara, reforçado pelo uso da iluminação dirigida a determinados lugares do desenho, a sobreposição de imagem, zooms, panorâmicas e até espaços vazios, valorizando o imaginário na trama. O desenho é primoroso e me faz lembrar, em alguns momentos, o trabalho do Escher ou do próprio Salvador Dali, pelo clima surreal do curta. É bom lembrar que na época em que foi produzido havia predominância de animações voltadas às crianças, sendo considerada uma das primeiras animações catalogadas“para adulto”. Foi aclamado pela crítica, recebendo indicação ao Oscar, mas perdeu para um filme do Walt Disney. A trilha sonora é fantástica e a narração original de James Mason completa o clima denso da narrativa. O filme conta a história de um demente que assassina um ancião, incomodado pelos seus olhos, e enterra o corpo sob o soalho da casa. Na animação o personagem do assassino nunca aparece...é sempre uma sombra a sugerir as ações.


 

domingo, 14 de julho de 2013

Tzubra Tzuma

Programa que fazíamos em xerox para o Cineclube Inter-Ação em 1984.

















Fiquei chateado em saber da morte do Flavio Del Carlo. Na década de oitenta morei em São Paulo e acompanhei com interesse seu trabalho. A informação não circulava com tanta facilidade como é hoje, mas quando me deparava com alguma coisa sua, logo comprava ou tratava de assistir. Tenho ainda os quatro números da revista BOCA (comentado nesse post). A animação Tzubra Tzuma assisti várias vezes. Nos anos oitenta havia em Atibaia o Cineclube Inter-Ação, "puxado" pelo Euclides Sandoval. Eu estava sempre junto, ajudando a projetar os filmes, a produzir o material de divulgação (como esse acima), arrumar as cadeiras na sala, e algumas vezes até buscando ou levando os rolos de filmes para São Paulo. As exibições aconteciam em várias partes da cidade como no Museu Municipal, nas praças públicas, bairros, e por muito tempo foi no Crie-Oficinas de Arte, um espaço cultural mantido pela Élsie, com a participação minha, do próprio Euclides e do Armando Canuto. No Crie havia uma sessão dedicada aos filmes de animação que acontecia toda tarde de domingo. Á noite havia duas sessões para o público adulto.
Poemas mastigáveis.
Outro material que tenho são dois livrinhos de poesia do Antônio Carlos Lucena, o Touchê, que tem as ilustrações do Flavio Del Carlo. Acho que esses livrinhos já são raridades por serem representativos desse período. Era uma época em que surgiram vários grupos de artistas que se associavam para produzir e divulgar sua arte (nessa época não se usava o termo coletivos). Touchê e Flavio Del Carlo pertenciam ao Grupo Sanguinovo, que em 1979 realizou a primeira passeata poética de SP, além de lançarem os Poemas do Poste, hoje prática bastante comum no cenário urbano. Era o período pós abertura política e a intenção desses grupos eram tomar as ruas e os espaços alternativos para espalhar sua arte, tendo a cidade como suporte. Lembro-me de ver com muito interesse a expansão dos grafites nos muros de São Paulo. A bota preta do Alex Vallauri estava na cidade toda, até ganhar espaços tradicionais da arte, como a Bienal de São Paulo em 1985, quando criou a sala A Casa da Rainha do Frango Assado, que tive o privilégio a ver. Na animação Tzubra Tzuma, postada abaixo, em determinado momento a nave entra por um buraco negro, reaparecendo do outro lado. Nela Flavio Del Carlo utilizou um liquidificador para obter o efeito. É bom lembrar que tudo isso foi feito pelo processo analógico, zilhões de vezes mais trabalhoso que o digital, daí a importância do outro curta metragem que pode ser visto aqui: Squich!, que mescla live-action com a animação. Ultimamente Flavio Del Carlo realizava vinhetas para a TV Cultura como do Glub-Glub e Rá-Tim-Bum.





segunda-feira, 8 de julho de 2013

Animação do Garatuja passa a integrar importante catálogo de filmes nacionais.


O filme A Viagem de um Barquinho, realizado por integrantes da oficina de animação do Garatuja, passa a fazer parte do catálogo da Programadora Brasil. Esse programa busca ampliar o acesso das recentes produções brasileiras, assim como de obras representativas da filmografia nacional, através do circuito não comercial. É uma ação da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, realizado pela Sociedade Amigos da Cinemateca sob a coordenação da Cinemateca Brasileira. Essa iniciativa surgiu da necessidade de fomentar a circulação de filmes nacionais, dos mais variados gêneros, para o maior número de espectadores, através de espaços exibidores alternativos como Cineclubes, Centros Culturais, Organizações Sociais, Escolas, Pontos de Cultura, e outros. Fazem parte desse catálogo mais de 800 filmes nacionais, de curta, média e longa duração de cineastas como Glauber Rocha, Beto Blant, Carlos Reichenbach, Eduardo Coutinho, Ruy Guerra e muitos outros. A Viagem de um Barquinho integra o Programa 278, seleção de curtas-metragens de animação para crianças (que todos adoram !) volume 2. Na resenha crítica de apresentação do vídeo, a Doutora em Comunicação e Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação e Coordenadora do Núcleo Infância, Comunicação e Arte da Universidade Federal de Santa Catarina, Gilka Girardello comenta: ...A sessão poderá também estimular na platéia a vontade de fazer cinema de animação. É que, de um lado, ela verá filmes com qualidades profissionais, que a seduzirão para o potencial das linguagens da animação; de outra, verá filmes produzidos em oficinas de audiovisual, que não deixam a desejar em termos de expressividade. É o caso de A Viagem de um Barquinho, em que técnicas "antigas", como recorte e colagem em papel, se mesclam às possibilidades de edição digital, numa força plástica que poderá animar as crianças a fazerem experiências semelhantes. Fazem parte desse DVD outras seis animações de diretores como Alê Camargo, Carolina Carrosine, Ricardo de Podestá, Yannet Briggiler, Alê Machado, Heitor Mendonça dos Santos, Leandro de Souza Henrique, Victor Mendonça dos Santos e alunos da rede municipal de Vitória.